S U A    R E V I S T A  D I G I T A L

   


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:: Um olhar do Paraíso


"Um Olhar do Paraíso" de Alice Sebold, é um aclamado romance centrado no assassinato de uma jovem de 14 anos que acompanha as conseqüências de sua morte através do limbo no qual se encontra, acompanha o isolamento de seu pai, sua mãe abandonando a família e a investigação do crime sendo encerrada sem sucesso.

A jovem Susie também assiste a outros assassinatos de seu executor impune assim como a infância traumática que teve e chega mesmo relutante a ter pena dele; mas isso não é mostrado na adaptação de Peter Jackson para os cinemas, da mesma forma que não há menção ao estupro, ao adultério de sua mãe com o investigador ou o cotovelo de Susie encontrado no milharal onde foi esquartejada.

Na versão light de Peter Jackson predomina sua obsessão com efeitos especiais e sua interfaces computadorizadas nas ricas paisagens do limbo pós-morte, algumas realmente belas, como a transposição do momento em que seu pai quebra garrafas com navios dentro, elas aparecem em tamanho real atracando na praia do limbo. Outras cenas em que Susie e sua nova companhia, Holly, outra vítima de Harvey, brincam pelos diversos oníricos cenários e sobem morros verdejantes, não cativam.

O trailer de Um olhar do Paraíso era promissor, todavia uma trama em que Susie se corresponde com seus familiares e os conduz a seu assassino não procede, sua (falta de)comunicação é apenas sentida como uma presença, e o único momento em que ‘se materializa’ é para ter o primeiro beijo que nunca teve (em vida).

Mesmo sem dicas do além, o solitário e esquisito vizinho atrai suspeitas do pai e da irmã mais nova, mas não concretizam na prisão do mesmo, que é mostrado no final caindo de um penhasco num acidente. Stanley Tucci no papel do assassino concorre a melhor coadjuvante no Oscar, mas Harvey beira o clichê. O resto do elenco é desperdiçado Rachel Weisz, Mark Wahlberg, só há algum espaço para Susan Sarandon, entre um trago e um gole, cuidar dos netos na ausência da mãe.


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Postado em: 26/2/2010



:: Mark Ruffalo ganha prêmio como diretor em Sundace


“Sympathy for Delicious“(2010) conta a estória de Delicious Dean, um dj que recentemente sofreu um acidente e está condenado à cadeira de rodas. Morando em seu carro, Dean faz suas refeições com moradores de ruas que recebem este auxílio de um jovem padre, papel assumido pelo próprio Mark Ruffalo em seu début como diretor.

O protagonista em sua busca pela cura através da fé descobre-se capaz de curar outras pessoas com suas mãos, e acaba usando seu dom promovendo uma banda de punk-rock que o agrega pela publicidade. Orlando Bloom (ao que parece com uma atuação emblemática) e Juliette Lewis são membros da banda, e o filme ainda conta com Laura Linney.

O roteirista Christopher Thornton, que interpreta Delicious Dean, sofreu um acidente e ficou paralisado da cintura para baixo aos 25 anos, condição que não privou de atuar, principalmente no teatro. Apesar das críticas quanto ao domínio de Mark Ruffalo por trás da câmera, a ousadia do drama independente que mescla com humor negro as questões da fé e os excessos do mundo do rock valeu prêmio Especial do Júri de Sundance.


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Postado em: 4/2/2010



:: Onde Vivem os Monstros


Spike Jonze se mantém fiel a temática de isolamento da consciência do indivíduo assim como em Quero Ser John Malkovich (1999) e Adaptação(2002), mas em Onde Vivem os Monstros (2009) a alienação da mente adulta dá espaço a solidão da psique infantil.

Inspirado no livro de ilustrações homônimo de Maurice Sendak, muito disseminado no mercado norte americano, que o diretor diz sempre ter se identificado, “como se já conhecesse os monstros, inclusive a escala, o tamanho da cabeça, algo de primitivo neles”, Jonze foi fiel ao forma dos seres fantásticos mas foi além conferindo-lhes personalidades próprias e distintas e identificando os sentimentos de levados da realidade de seu protagonista como ressentimento, angústia, fidelidade, mesquinharia e incluindo outros psicologismos nas interações das criaturas entre si e com o jovem Max.

Carol, por exemplo, o monstro mais simpático e sensível, em um momento mostra à Max uma maquete de como seria seu mundo ideal, reiterando a espiral da solidão e o modo individual de lidar com situações adversas; essa é a fantasia de Max. Negligenciado pela irmã mais velha e o pouco tempo que recebe da atenção de sua mãe, Max se rebela numa acesso de raiva quando a vê com seu namorado e foge; nesta fuga, velejando mar adentro, chega a uma ilha e se apresenta como rei, onde, proclamado como tal pelos seres nativos, dispara: “Que comece a bagunça!”.

Até essa epifania anárquica o filme mantém a expectativa de deslumbre, seja pela crua densidade dos créditos iniciais ou pela imensidão e beleza das paisagens da ilha, mas, assim como seu reinado, essa expectativa vai ruindo quando se percebe que a força do filme está exatamente no imaginário visual de Max mimetizado melancolicamente em vastos cenários e onírica e elegíaca trilha sonora de Karen O., vocalista do Yeah Yeah yeahs, ex namorada de Jonze.


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Postado em: 30/1/2010



:: "Os Abraços Partidos"


Harry Caine nasce depois do acidente em que Mateo Blanco perde um grande amor e a visão; o pseudônimo roteirista ocupa por completo a vida do diretor por catorze anos até que seu passado o reencontre e Mateo possa tocar a imagem de sua amada. Poético, grandioso, Almodovar.

Repetitivo ou fiel ao seu estilo dividem os que reduzem "Los Abrazos Rotos"(2009) como não sendo a melhor película do diretor e os que o veneram. É fato que o homosexualismo, as paixões súbitas, a corrupção (da alma), o moralismo, as dores, a tragédia e Penélope Cruz estão presentes, mas dessa vez as (auto) referências e reverências metalinguísticas protagonizam esse espelho de sua obra, assim como (literalmente) de sua musa, com capciosa propriedade quando há dificuldade em dizer se essa ode sobrepuja a trama.

Desenhado numa narração menos tempestuosa e apoteótica que seus antecessores todavia acompanhado da evolução de sua assinatura, a expressão visual: sempre vibrante e cada vez mais sofisticada; é, na verdade, esse vigor das cores de Almodovar que confere a grandiosidade de "Abraços Partidos"


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Postado em: 20/12/2009



:: ATIVIDADE PARANORMAL


O suspense "Paranormal Activity"(2007), em cartaz nos cinemas de Manaus, segue a base de "Bruxa de Blair"(1999) como um suposto documentário e narrativa ‘caseira’, mas essa não-novidade não descontrói o suspense, nem o apelo aterrorizante de um contexto universalmente identificável, o lugar comum, objetos, os personagens, sem teorias além do cotidiano. Micah compra uma câmera e investe num aparato tecnológico na tentativa de registrar estranhas atividades que voltam q assombrar sua namorada, que relata um histórico prévio com alguma entidade sobrenatural. Portas batendo, ruídos estranhos e objetos derrubados sem explicação, Micah está disposto a registrar alguma atividade paranormal e mantém a câmera ligada 24 horas por dia acompanhando o casal.

A introdução de um agradecimento fictício a família de Micah e a polícia local criam a tensão necessária ainda que somente pela dúvida de se realmente tratarem de fatos reais. Outro fator é a exibição no cinema em si, ampliando os sentidos e o diretor estreante Oren Peli se aproveita disso induzindo para uma veracidade tal que por alguns momentos pensei seriamente em sair da sala tal foi o medo no decorrer das noites do casal; parece exagerado, mas esse conjunto de simples elementos funcionam bem nesta intensidade.

O final foi mudado para que deixasse margem à continuações, na verdade o único desvio é exatamente o último segundo, que assusta, mas escapa da atmosfera ‘comum’ e crível que é a grande fórmula de "Paranormal Activity", que se tornou um dos mais lucrativos da história, já arrecadou mais de 60 milhões de dólares, sobre os míseros 15 mil da produção.


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Postado em: 11/12/2009


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