S U A    R E V I S T A  D I G I T A L

   


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:: O Segredo do Oscar


Esposito (Ricardo Darin) é um investigador penal aposentado que decide escrever um livro baseado em um caso nunca resolvido na década de 70, quando uma mulher foi estuprada e espancada até a morte. Esposito se mantém particularmente movido pela devastação do marido da vítima. Ao reencontrar-se com Irene, sua supervisora na época das investigações, imediatamente percebemos uma faísca que denuncia antiga atração entre eles.

Sobre uma ponte temporal entre 1974 e o atual 1999, a adaptação do romance de Eduardo Sacheri, co-roterista com Juan José Campanella mantém o pulso literário focando nos diálogos e olhares ao invés das convenções de tensão de um thriller policial, uma posição ousada convertida em acerto por Campanella. O plano sequencia acima apresenta a maestria do diretor argentino que confere força ímpar ao longa.

Em "O Segredo de seus Olhos"(2009) a conhecida melancolia dos filmes argentinos está presente assim como a frustração tanto de Esposito quanto Irene acerca do passado, das escolhas e possibilidade de novas mudanças. Além do romance ainda não declarado dos protagonistas, as questões políticas que cercam o crime, na época da ditadura, permanecem na medida certa, sutis ainda que necessárias em uma fita centralizada na justiça, na memória e que nos conecta com sua reflexão acerca da energia que nos move, seja o amor ou a sede de justiça.


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Postado em: 25/6/2010



:: Uma boa biografia para os saudosistas de John Lennon


“The U.S vs John Lennon”(2006) descreve como um músico/artista chegou ao ponto de perturbar o governo Nixon em vigor, ter seus direitos violados por escutas telefônicas ilegais, perseguido pelo FBI e entrou em uma briga de quase cinco anos com as constantes investidas do Serviço de Imigração americano para deportá-lo.

O documentário abre com entrevistas dos Beatles em que destacam o poder da voz de John Lennon e sua plena consciência do alcance de suas palavras e escolha por uma responsabilidade de transmitir uma mensagem acerca da guerra que acontecia no Vietnam ao invés de limitar-se a música. Nesse momento os roteiristas infiltram imagens de jovens soldados mortos, estatísticas e relato de um veterano paraplégico.

Um ponto definitivo na vida de Lennon foi o encontro com a então artista conceitual Yoko Ono e o efeito libertário dessa união para seus ideais. Agregou o tom performático e tentava ilustrar seus conceitos como bagismo e "comunicação total" para os céticos jornalistas que incessantemente acompanhavam o casal, e assumiram uma postura conjunta e exibicionista para transmitir a paz e a relação direta com as novas canções que levava multidões a entoarem Give peace a chance", canções que denunciava para os inimigos e conservadores seu comportamento subversivo.

A posterior associação do casal com radicais de movimentos paralelos como Panteras Negras, é contada pelos roteirista relevando um caráter ingênuo de John e o colocam como joguete político dos ativistas dos quais ele financiava a ideologia e outras polêmicas envolvendo o uso de drogas ou elemento negativo para a figura de John Lennon não são tratados. Há certamente um peso do sentimentalismo e complacência de dos produtores David Leaf e John Scheinfeld.

Como um filme que poderia levantar questões acerca dos maniqueísmos de um governo beligerante e a repercussão frustrada das vozes opositoras de frente ao imperialismo estadunidense nos dias atuais, "Os E.U.A vs John Lennon" é uma boa saudosista biografia.


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Postado em: 21/4/2010



:: Mary e Max


Mary é uma menina australiana de 8 anos de idade, solitária, com uma marca de nascença na testa, negligenciada pela mãe alcoólatra e o pai viciado em seu hobby. Certa vez, ela acabou por sortear um nome num livro dos correios e escreveu para um endereço em Nova Iorque para perguntar se os bebês na América também surgem no fundo de canecas de cerveja como sua mãe contou. Em outro continente, o destinatário Max de 40 anos tem em comum com sua nova amiga de correspondência a solidão e a admiração pelo desenho televisivo The Noblits e chocolate.

Na troca de cartas, Mary confidencia detalhes de sua rotina como o bullying que sofre na escola e o conforto que encontra em uma lata de leite condensado enquanto Max revela seus três objetivos na vida: conseguir a coleção completa de bonecos dos Noblits, ter uma fonte de chocolate e encontrar um amigo.

A sombria cenografia compõe o teor melancólico do conteúdo das cartas, das fatalidades, neuroses, feridas, frustrações e desencantos que acompanham os anos seguintes até que a jovem Mary possa dividir com seu amigo um breve momento de sucesso com seu casamento e a publicação de um livro sobre a condição neurológica da qual Max é acometido, a síndrome de Asperger (o protagonista de seu Harvie Krumpet também possuía um transtorno psiquiátrico que moldaria sua vida, no caso síndrome de Tourette), porém as histórias de vida antes independentemente descritas tornaram-se diretamente afetadas mutuamente pela excêntrica amizade de Mary e Max.

“Mary e Max: Uma amizade Diferente” consegue atingir uma sinceridade ímpar e a dublagem pujante dos atores Toni Collette, Philip Seymour Hoffman, Eric Bana e a narraçao do comediante australiano Barry Humphries resultam numa obra muito além de um simples stop-motion com belíssima direção de arte, há vida e feridas reais .


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Postado em: 19/4/2010



:: The Book of Eli


Denzel Washington é um homem solitário atravessando uma vasta paisagem estéril resultante de uma catástrofe global. Carrega consigo uma mochila e uma espada diariamente afiada e quando encontra hostil companhia de saqueadores e canibais demonstra que definitivamente sabe usá-la. A primeira metade de “The Book of Eli”(2010), com a poderosa presença de Denzel sobrevivente numa excelente cinematografia carbonizada e desértica, é bastante promissora, mas tão logo encontre uma versão faroeste pós-apocalíptica de Mad Max as coisas mudam.

As poucas regras nesta anarquia mad maxiana, que conta com violentos motoqueiros empoeirados, são impostas por Carnegie (não o melhor vilão de Gary Oldman), que tem como único objetivo encontrar o livro que é capaz de “ordenhar” as pessoas e dominar o mundo. O mesmo livro que, pasmem, está na mochila do forasteiro; mas Carnegie ainda não sabe disso quando o convida a passar uma noite no saloon na companhia de sua enteada, a that seventies show Mila Kunis, que munida de estilosos aviator agrega outra repetida sequência slow motion de Eli em sua fuga pelo deserto.

Os irmãos Hughes, de From Hell (2001), acabam por entregar um excelente conto americano: superficial, alegórico e com um pesado arsenal de armas de fogo e muita, mas muita munição, sem abandonar as ideologia cristã; a cereja do bolo: um final profético em Alcatraz.


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Postado em: 24/3/2010



:: Um Sonho Possível


Baseado na não-ficção homônima de Michael Lewis, a improvável história de Michael Oher passa por dois momentos definitivos: o pai de um amigo convence o treinador de um tradicional colégio cristão a matricular os meninos para aproveitar seus dotes como esportistas; é lá estudam os filhos da família Tuohy, que viria a ser sua futura família.

Sandra Bullock está incorrigível no papel da matriarca Leigh Anne, ex-líder de torcida, sulista, republicana, esposa de um jogador de basquete aposentado e dono de uma cadeia de franquias. Tim McGraw, que já atuou em outro drama de futebol americano Friday Night Lights(2004), faz o marido cúmplice e carismático, que apóia a decisão de Leigh Anne em abrigar o famigerado e sem-teto Big Mike numa noite fria, e todas as que se seguiram. É a família Tuohy, aficionada por esportes, que impulsiona Michael a aperfeiçoar seu talento para o futebol quando ele nem conseguia assimilar as regras do jogo.

Sem grandes reviravoltas mas nem por isso menos envolvimento e torcida por parte do espectador, John Lee Hancock opta por não explorar visualmente a infância traumática com a mãe viciada em drogas e passagens por lares adotivos, essas informações são entregues em diálogos, deixando espaço para a emocionante jornada de Mike a partir de sua entrada como semianalfabeto em Wingate, uma batalha acadêmica para garantir uma bolsa de estudos em uma faculdade com objetivo de jogar profissionalmente ao comovente epílogo com imagens reais da entrega do prêmio da NFL(National Football League) concedido ao blind side do Baltimore Ravens, Michael Oher.

O título “The Blind Side” na linguagem futebolística se refere a posição tackle à esquerda, com o objetivo de proteger o lado onde o atacante, que está de costas não enxerga, o lado cego. Por aqui “Um Sonho Possível”(2009) supera qualquer preconceito seja com Sandra Bullock ou a temática do futebol americano, é um filme bem edificado, emocionante, correto e com toda a bagagem de otimismo e motivacional que histórias de sorte e superação podem nos proporcionar.


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Postado em: 19/3/2010


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